Endometriose: a importância dos exames de rastreamento para um diagnóstico preciso e precoce
Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva podem ser diagnosticadas com endometriose. Entretanto, essa é uma condição que costuma ser assintomática nas primeiras semanas, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Por essa razão, quando os primeiros sinais aparecem, é imprescindível buscar ajuda médica para iniciar o tratamento o quanto antes.
Neste artigo, falaremos mais sobre esse tema, apontando quais são os principais sintomas e a importância dos exames de rastreamento para identificar o problema com mais precisão. Para saber mais, continue a leitura!
O que é endometriose?
O útero é revestido por um tecido, conhecido como endométrio, que é afetado diretamente pelos hormônios.
A endometriose ocorre quando esse tecido tem seu crescimento fora do útero. É comum que isso ocorra em regiões da cavidade abdominal, como bexiga e ovários.
É importante destacar que, em alguns casos, a paciente pode apresentar endometriose intestinal quando parte do endométrio cresce no reto e no intestino grosso.
Os principais sintomas da endometriose
O sintoma mais conhecido da endometriose é a cólica forte. Em muitos casos, a mulher fica incapacitada de realizar suas atividades do dia a dia. Além disso, há dores abdominais. Além deles, outros sinais são:
- menstruação intensa e irregular;
- dor intensa durante as relações sexuais;
- sangramentos intestinais e urinários;
- cólicas menstruais duas semanas antes do período menstrual;
- dores para urinar;
- dores abdominais;
- cansaço e fadiga;
- distensão abdominal;
- infertilidade ou dificuldade para engravidar.
Outro ponto que merece atenção é que, algumas mulheres podem apresentar dor nas costas, principalmente na região lombar. Isso acontece quando o endométrio se localiza na junção do útero ao osso sacro, gerando inflamação.
Quando há endometriose próxima ao intestino, outros sintomas podem surgir, como: prisão de ventre, sangramento nas fezes, dor para evacuar e diarreia.
Vale destacar que algumas pacientes podem ter mudanças no peso corporal, mas isso costuma acontecer por conta do tratamento hormonal utilizado para o controle da doença. A medicação também pode ser responsável pelo engrossamento da voz, redução das mamas e aumento dos pelos corporais.
Como a endometriose impacta a qualidade de vida?
A endometriose impacta a qualidade de vida de diversas formas, causando dores intensas, fadiga crônica e desconforto durante atividades diárias, como trabalhar e se exercitar. Os sintomas podem levar a estresse, ansiedade e depressão, afetando a saúde mental.
Além disso, a condição interfere na vida sexual e na fertilidade, gerando preocupações emocionais.
O tratamento, muitas vezes prolongado e complexo, envolve cirurgias e medicamentos com efeitos colaterais.
Muitas pacientes podem ter problemas no ambiente social e profissional por conta da falta de compreensão sobre a doença, Com isso, a endometriose compromete o bem-estar físico, psicológico e social das mulheres que convivem com ela.
Fatores de risco
A endometriose é uma condição estrogênio dependente, por isso, situações onde há maior exposição a esse hormônio são consideradas de grande risco. A doença pode se manifestar com dores pélvicas, cólicas intensas e infertilidade. Por essa razão, é imprescindível reconhecer os fatores de risco para diminuir as chances do surgimento de endometriose.:
Os principais fatores de risco são:
- Ter histórico familiar
- Ciclos menstruais mais curtos
- Baixo índice de massa corporal
- Malformações uterinas
- Menstruação precoce
- Fluxo menstrual intenso
- Estenoses cervicais
- Cirurgia pélvica anterior
- Mulheres que não tiveram filhos
- Primeiro parto após os 35 anos.
- Hábitos e estilo de vida ruins;
- Ingestão exagerada de alguns alimentos prejudiciais a saúde, como gordura trans, carne vermelha, cafeína e álcool
- Falta de exercícios físicos
- Dificuldades com o sistema imunológico
A importância dos exames de rastreamento para endometriose
O rastreamento de endometriose, também conhecido como mapeamento, é uma abordagem complementar da para investigação da endometriose. O processo consiste em realizar diversos exames, principalmente os de imagem, para identificar locais onde o endométrio pode estar localizado.
Dentre os exames estão: ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico, vias urinárias, além da ressonância magnética.
Exames clínicos vs. exames de imagem: quais são melhores?
Diagnosticar a endometriose pode ser difícil, sendo necessário combinar exames clínicos e exames de imagem. Além disso, essa decisão deve ocorrer após uma avaliação clínica, onde o médico se baseia nos sintomas relatados pela paciente, como cólicas menstruais intensas, dor pélvica, infertilidade, dor ao ter relações, entre outras.
No entanto, como alguns destes sinais podem se sobrepor a outras condições ginecológicas, os exames de imagem podem ser imprescindíveis para o fechamento do diagnóstico e tratamento adequado.
Um exemplo é a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, um exame muito utilizado, pois pode identificar focos da doença em regiões mais profundas. Já a ressonância magnética é importante para que o profissional consiga ter uma visão mais detalhada das lesões endometrióticas, principalmente em casos mais complexos.
A laparoscopia também é considerada essencial para confirmar o diagnóstico, permitindo a visualização direta dos focos de endometriose e até a realização de biópsia.
Dessa forma, não há um exame único e definitivo para diagnosticar a endometriose, mas sim um conjunto de avaliações clínicas e de imagem que, quando combinadas, aumentam a precisão diagnóstica e direcionam o tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida da paciente.
Quais são os principais exames de rastreamento para endometriose?
Como citamos anteriormente, o diagnóstico para a endometriose deve ser multifatorial. Isso significa combinar exames clínicos e exames de imagem para avaliar a gravidade do problema.
Como os sintomas podem variar, é importante avaliar cada caso individualmente, considerando o histórico da paciente. Por isso, os exames de rastreamento se tornam imprescindíveis nesse processo.
Ultrassonografia transvaginal
O ultrassom transvaginal é um dos exames mais comuns dentre os solicitados pelos médicos. Quando realizado com preparo intestinal, ajuda na investigação de lesões profundas e extensão da doença. Embora seja um exame acessível e menos invasivo, sua precisão pode depender da experiência do profissional que o realiza.
Ressonância magnética
Este é um exame mais avançado e que tem capacidade de fornecer imagens mais detalhadas dos órgãos pélvicos, além de identificar os focos de endometriose com mais precisão.
A ressonância magnética é muito útil para a avaliação de lesões profundas que acometem estruturas como intestino e bexiga.
Laparoscopia
A laparoscopia é um exame que permite a visualização direta das lesões, além da realização da biópsia para confirmação do diagnóstico. Com ela, é possível efetuar a remoção de focos da doença durante o procedimento. No entanto, por se tratar de uma cirurgia, é indicada apenas em casos específicos.
Considerações finais
A endometriose é uma doença que pode trazer diversos problemas para as mulheres, inclusive a infertilidade. Apesar de acometer cerca de 10% da população feminina, essa é ainda uma condição com muitas dúvidas.
Por isso, é muito importante entender que o diagnóstico precoce pode fazer toda diferença para identificar o tratamento adequado. Com o surgimento dos primeiros sintomas, procure ajuda de um ginecologista.
Gostou deste artigo? Acesse nosso blog e leia outros conteúdos.