Câncer de mama inflamatório, entenda
O câncer de mama é uma das neoplasias malignas mais prevalentes entre mulheres em todo o mundo, representando um desafio contínuo para a saúde pública e para a prática clínica.
Embora muitas vezes seja tratado como uma entidade única, o câncer de mama compreende uma ampla variedade de subtipos, cada um com características histológicas, moleculares e clínicas distintas, que influenciam diretamente o prognóstico e as estratégias terapêuticas.
Entendendo os tipo de câncer de mama
Os tipos mais comuns de câncer de mama incluem o carcinoma ductal in situ (CDIS), classificado como não invasivo, e os carcinomas invasivos.
Entre estes, o carcinoma ductal invasivo (CDI) se destaca, pois responde por cerca de 70% a 80% dos casos. Já o carcinoma lobular invasivo (CLI) se origina diretamente nos lóbulos mamários e também apresenta relevância clínica.
Além deles, há subtipos menos frequentes, mas igualmente importantes, como o câncer de mama triplo negativo. Esse subtipo se caracteriza pela ausência de receptores hormonais de estrogênio e progesterona, além da proteína HER2.
Essa combinação o torna mais agressivo e, portanto, de tratamento mais complexo.
Outros tipos raros merecem destaque. A doença de Paget da mama afeta principalmente o mamilo e a aréola, enquanto o angiossarcoma mamário surge nos vasos sanguíneos da mama.
Dentro desse espectro, o câncer de mama inflamatório chama atenção por sua agressividade e raridade, já que representa apenas de 1% a 5% dos casos.
Diferente de outros tipos, ele não aparece como um nódulo palpável. Em vez disso, manifesta-se como inflamação difusa da mama. Isso ocorre porque células tumorais obstruem vasos linfáticos, provocando vermelhidão, calor, inchaço e espessamento da pele, sintomas facilmente confundidos com infecções.
Portanto, compreender essa diversidade é fundamental. I
dentificar corretamente cada subtipo garante diagnóstico precoce, tratamento adequado e melhores resultados clínicos. Este artigo foca especialmente no câncer de mama inflamatório, explorando suas particularidades, desafios diagnósticos e possibilidades terapêuticas.
Sobre o Câncer de Mama
Diversos fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento do câncer de mama.
Entre eles, destacam-se a idade (o risco aumenta após os 50 anos), histórico familiar da doença, predisposição genética (como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2), obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e exposição prolongada a hormônios, seja por terapia de reposição hormonal ou menstruação precoce e menopausa tardia.
Além disso, fatores de estilo de vida também influenciam significativamente.
Uma alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e manutenção de peso adequado são medidas preventivas importantes. Embora homens também possam desenvolver câncer de mama, sua incidência é muito menor, correspondendo a cerca de 1% dos casos.
Sintomas e sinais do câncer de mama
O câncer de mama nem sempre apresenta sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância da prevenção e dos exames de rastreamento.
Entre os sinais que merecem atenção estão: nódulo ou caroço no seio ou na axila, alteração no tamanho ou formato da mama, secreção pelo mamilo (principalmente sanguinolenta), pele avermelhada ou com aspecto de casca de laranja e dor persistente na região.
Mulheres devem realizar o autoexame regularmente e relatar qualquer alteração ao médico. Apesar de o autoexame não substituir o exame clínico ou a mamografia, ele ajuda na conscientização sobre mudanças no corpo, aumentando a chance de detecção precoce.
Tipos de Câncer de Mama
O câncer de mama não é uma doença única, mas um conjunto de doenças com diferentes características biológicas. Os tipos mais comuns incluem:
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Carcinoma ductal invasivo: este é o mais frequente, origina-se nos ductos mamários e pode se espalhar para tecidos vizinhos.
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Carcinoma lobular invasivo: surge nas glândulas produtoras de leite e tende a ser bilateral em alguns casos.
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Carcinoma in situ: tipo inicial, quando as células ainda não invadiram tecidos próximos, apresentando altas chances de cura.
Além disso, os tumores podem ser classificados com base na presença de receptores hormonais (estrogênio e progesterona) e proteína HER2, características que determinam a resposta a tratamentos específicos.
O que é o câncer de mama inflamatório?
O câncer de mama inflamatório é uma forma de câncer de mama que causa inchaço nas mamas e alterações na pele.
O câncer de mama inflamatório ocorre quando um crescimento de células se forma no tecido mamário. As células se desprendem de onde começaram a crescer e viajam para os vasos linfáticos da pele.
As células podem bloquear os vasos e fazer com que a pele da mama pareça inchada. Essa pele pode ficar vermelha ou roxa.
O câncer de mama inflamatório é considerado um câncer localmente avançado.
Quando um câncer está localmente avançado, isso significa que se espalhou de onde se originou para tecidos próximos e possivelmente para os linfonodos próximos.
O câncer de mama inflamatório pode ser facilmente confundido com uma infecção mamária, que é uma causa muito mais comum de inchaço e alterações na pele das mamas.
Epidemiologia sobre o câncer de mama inflamatório
O câncer de mama inflamatório (CMI) é uma forma rara e agressiva da doença, representando cerca de 1% a 5% de todos os casos de câncer de mama.
Apesar de sua baixa incidência, o CMI é responsável por uma proporção significativa de mortalidade associada ao câncer mamário devido à sua rápida progressão e ao diagnóstico frequentemente tardio.
Acomete principalmente mulheres em idade mais jovem, entre 40 e 50 anos, e apresenta maior prevalência em populações afrodescendentes e latino-americanas.
Estudos também indicam uma associação entre o CMI e o índice de massa corporal elevado, sugerindo que fatores metabólicos podem influenciar seu desenvolvimento.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de mama inflamatório é predominantemente clínico, baseado na observação de sinais característicos como eritema difuso, edema com aspecto de “casca de laranja”, aumento de volume da mama e calor local.
Diferente dos subtipos mais comuns, o CMI raramente se apresenta como um nódulo palpável, o que dificulta sua detecção precoce.
A confirmação diagnóstica requer biópsia da pele ou do tecido mamário, com análise histopatológica que geralmente revela carcinoma ductal invasivo com invasão linfática dérmica.
Exames de imagem como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética são utilizados para avaliar a extensão da doença, enquanto a tomografia e a cintilografia óssea ajudam na investigação de metástases.
Sintomas do câncer de mama inflamatório
O câncer de mama inflamatório geralmente não forma um nódulo, como ocorre com outras formas de câncer de mama. Em vez disso, os sinais e sintomas do câncer de mama inflamatório incluem:
- Mudança rápida na aparência de uma mama, ao longo de várias semanas.
- Espessura, peso ou inchaço de uma mama.
- Alterações na cor da pele, dando à mama uma aparência vermelha, roxa, rosada ou machucada.
- Calor incomum na mama afetada.
- Covinhas ou sulcos na pele da mama afetada, semelhantes a casca de laranja.
- Sensibilidade, dor ou incômodo.
- Linfonodos aumentados sob o braço, acima da clavícula ou abaixo da clavícula.
- Mamilo achatado ou que se vira para dentro na mama afetada.
Para que o câncer de mama inflamatório seja diagnosticado, esses sintomas devem estar presentes há menos de seis meses.
Tratamento do câncer de mama inflamatório
O câncer de mama inflamatório é um dos tipos mais agressivos da doença, exigindo uma abordagem rápida e integrada. O tratamento envolve múltiplas etapas, combinando medicamentos, cirurgia e acompanhamento contínuo. A seguir, destacamos as principais estratégias utilizadas atualmente.
Terapia neoadjuvante: quimioterapia antes da cirurgia
Na maioria dos casos, o primeiro passo é a quimioterapia neoadjuvante.
Esse recurso busca reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia, aumentar as chances de remoção completa e diminuir o risco de metástase.
Além disso, a resposta à quimioterapia permite avaliar o comportamento biológico do tumor, o que auxilia na escolha das etapas seguintes do tratamento.
Cirurgia: mastectomia radical como procedimento mais comum
Após a quimioterapia, a cirurgia geralmente é indicada.
O procedimento mais comum é a mastectomia radical, que consiste na retirada total da mama afetada, incluindo pele, aréola e linfonodos próximos.
Embora seja um passo drástico, ele é necessário devido à natureza difusa do câncer de mama inflamatório, que se espalha rapidamente pelos tecidos mamários.
Radioterapia para controle local
Mesmo após a cirurgia, existe risco de células malignas permanecerem na região.
Por isso, a radioterapia é aplicada para garantir o controle local da doença. Essa etapa reduz significativamente a probabilidade de recidiva e melhora o prognóstico, atuando como complemento essencial ao tratamento cirúrgico.
Terapias-alvo e imunoterapia em casos específicos
Em determinados casos, o tratamento também inclui terapias-alvo ou imunoterapia.
Esses métodos atacam mecanismos específicos das células tumorais ou estimulam o sistema imunológico a reagir contra o câncer.
Pacientes com superexpressão da proteína HER2, por exemplo, podem se beneficiar de medicamentos que bloqueiam sua ação.
Importância do tratamento multidisciplinar
O sucesso no combate ao câncer de mama inflamatório depende de um tratamento multidisciplinar, que reúne oncologistas, mastologistas, radiologistas, cirurgiões e profissionais de apoio.
Esse cuidado integrado assegura maior precisão nas condutas, reduz complicações e melhora a qualidade de vida da paciente ao longo do processo.
Quando consultar um médico
Procure imediatamente um médico ou outro profissional de saúde se apresentar sintomas que despertem preocupação.
Muitas condições comuns causam sinais semelhantes aos do câncer de mama inflamatório. Por exemplo, a mastite, que é uma infecção mamária, pode provocar dor, inchaço e alterações na cor da pele.
O câncer de mama inflamatório frequentemente se confunde com a mastite, que ocorre com muito mais frequência.
Assim, os médicos costumam iniciar o tratamento com antibióticos por uma semana ou mais. Se os sintomas responderem, não é necessário realizar outros exames.
Entretanto, se a melhora não acontecer, o profissional de saúde deve investigar causas mais graves, como o câncer de mama inflamatório.
Se você recebeu tratamento para uma infecção mamária, mas os sinais persistem, entre em contato novamente com seu médico.
Nesses casos, ele pode solicitar exames de imagem, como a mamografia, para aprofundar a avaliação. No entanto, a única forma de confirmar o diagnóstico é por meio da biópsia, em que o médico coleta uma amostra do tecido para análise detalhada.
Prevenção e conscientização
A prevenção do câncer de mama envolve medidas de estilo de vida saudável, exames periódicos e conscientização sobre fatores de risco. Campanhas como o Outubro Rosa têm umpapel importante, incentivando mulheres a conhecer seu corpo, buscar informações e realizar exames regulares.
Além disso, familiares de pacientes com histórico de câncer devem considerar acompanhamento genético, principalmente em casos de mutações hereditárias conhecidas. O diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado na luta contra a doença, aumentando significativamente a sobrevida e qualidade de vida das pacientes.
Val Marchiori é diagnosticada com câncer de mama
Na última terça-feira, 26 de agosto, a empresária e socialite Val Marchiori, de 50 anos, compartilhou com seus seguidores nas redes sociais que foi diagnosticada com câncer de mama.
Ela revelou que o diagnóstico ocorreu após a realização de uma biópsia em um nódulo suspeito na mama direita, identificado durante um exame de rotina. Visivelmente emocionada, Val expressou o impacto da notícia e a sensação de estar “sem chão”.
Ela também compartilhou o medo que sentia em relação à mamografia, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Val enfatizou que muitas mulheres deixam de realizar exames de rotina por medo, e fez um apelo para que outras não cometam o mesmo erro. Além disso, agradeceu ao apoio de amigos, familiares e seguidores, e mencionou que, neste momento, prefere se recolher para focar em sua recuperação.
A socialite passará por uma cirurgia para retirada do tumor na próxima segunda-feira, 1º de setembro de 2025.
Considerações finais
O câncer de mama representa um desafio de saúde que demanda vigilância constante.
Quando as mulheres combinam prevenção, rastreamento precoce e tratamento adequado, elas conseguem transformar significativamente o prognóstico da doença.
Além disso, manter hábitos de vida saudáveis, realizar exames periódicos e procurar orientação médica diante de qualquer sinal suspeito aumenta as chances de cura e reduz complicações.
Investir em informação, conscientização e acompanhamento médico é fundamental.
Essa tríade não apenas salva vidas, mas também promove qualidade de vida e bem-estar em todas as fases do cuidado. Portanto, adotar medidas preventivas e não ignorar sinais de alerta deve ser parte da rotina de todas as mulheres.
Assim, cada ação preventiva se torna um passo essencial para reduzir o impacto do câncer de mama na sociedade.
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