Doença do Silicone

Doença do Silicone: qual o preço da beleza?

Doença do Silicone, o que é, afinal?

Também chamada de doença do implante mamário, ela se manifesta por sintomas que aparecem depois da colocação dos implantes mamários.

Por ser pouco conhecida, essa condição está começando a ser estudada pelos pesquisadores, o que explica a dificuldade em obter um diagnóstico preciso.

Além disso, essa doença recebe outros nomes, como doença do implante mamário e síndrome autoimune/inflamatória.

Importante destacar que os sintomas podem surgir logo após a cirurgia ou até muitos anos depois dela.

Dados sobre   problema

A retirada de próteses de silicone, conhecida como explante mamário, tem se tornado mais comum no Brasil. A busca pelo procedimento está ligada a questões de saúde, como contratura capsular, síndrome ASIA Doença do Silicone, além de mudanças no padrão estético feminino.

Em 2020, o país registrou 25 mil explantes, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica.

Causas para a Doença do Silicone

Ainda não se sabe ao certo a causa exata da Doença do Silicone. No entanto, alguns estudiosos acreditam que as causas podem incluir:

  • Reação autoimune ou inflamatória a partes do implante, como o silicone;

  • Crescimento de bactérias na superfície do implante, que pode causar infecção;

  • Reação à própria cirurgia usada para inserir os implantes mamários.

Quanto aos sintomas da Doença do Silicone, eles variam de pessoa para pessoa. Além disso, os pesquisadores identificam mais de 50 sintomas que afetam tanto o sistema musculoesquelético quanto a função cognitiva.

Vamos falar sobre os sintomas da Doença do Silicone?

Por exemplo, os sintomas musculoesqueléticos mais comuns são:

  • Dor nas articulações;

  • Dor muscular;

  • Fraqueza muscular.

Já entre os sintomas cognitivos, destacam-se:

  • Ansiedade;

  • Confusão mental;

  • Fadiga;

  • Perda de memória;

  • Dificuldade de concentração.

Além disso, outros sintomas incluem:

  • Sinais típicos de doenças autoimunes;

  • Dor crônica;

  • Olhos secos ou baixa visão;

  • Queda de cabelo;

  • Problemas de pele, como erupções cutâneas.

É importante ressaltar que esses sintomas podem ocorrer com qualquer tipo de implante mamário, sejam eles preenchidos com gel de silicone, com superfície lisa ou texturizada, redondos ou em outros formatos.

Além disso, os sintomas podem se desenvolver independentemente de o implante estar rompido ou intacto.

Também vale destacar que esses sintomas podem surgir a qualquer momento após a cirurgia. Algumas pessoas começam a apresentar sintomas imediatamente, enquanto outras só os desenvolvem anos depois.

Segundo a comunidade médica, a Doença do Silicone não é considerada uma doença isolada, mas sim um conjunto de sintomas.

O que você deve ficar atenta?

Por outro lado, mulheres com implantes de silicone precisam ficar atentas ao risco de desenvolver linfoma anaplásico de células grandes. Essa condição surge a partir da resposta inflamatória crônica causada pela presença do implante.

Assim, a paciente pode notar inchaços, dores, deformidades na mama e até a formação de um seroma, que é o acúmulo anormal de líquido seroso ao redor da cápsula do implante.

Embora a Doença do Silicone não seja comum, cada vez mais pessoas têm relatado sintomas relacionados.

Além disso, as redes sociais desempenham um papel importante na disseminação e conscientização sobre essa condição.

Inclusive, existem comunidades online dedicadas à Doença do Silicone, com muitos membros que compartilham suas experiências e discutem a doença.

Diagnóstico para a Doença do Silicone

Como os sintomas são muito complexos, por sua vez o diagnóstico é também é difícil.

Trata-se de um conjunto de sintomas que não se enquadra em nenhum outro diagnóstico de doença.

Os sintomas também podem ser os mesmos ou semelhantes a outras doenças como:

  • Doenças autoimunes
  • Distúrbios do tecido conjuntivo
  • Tireoide
  • Perimenopausa ou menopausa
  • Doença de Lyme
  • Efeitos colaterais de alguns tratamentos de câncer de mama, como terapia hormonal e quimioterapia

Dependendo dos sintomas específicos, o médico poderá solicitar exames para descartar outras doenças ou condições que foram mencionadas acima.

Quando é colocado um implante mamário, em algumas pessoas, pode acionar um gatilho que desencadeia uma resposta autoimune ou inflamatória.

A remoção dos implantes mamários não é garantia que os sintomas desaparecerão, pois mesmo com a retirada os sinais ainda podem persistir.

Síndrome ASIA

A síndrome ASIA, sigla para Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants, representa uma alteração autoimune desencadeada por substâncias adjuvantes que provocam um processo inflamatório crônico.

Essa condição afeta principalmente pessoas com predisposição genética a doenças autoimunes.

Entre os agentes causadores mais comuns estão o silicone, o hidróxido de alumínio, amplamente utilizado em vacinas, o mercúrio, o óleo mineral e o titânio.

Essas substâncias funcionam como adjuvantes, ou seja, estimulam o sistema imunológico, mas em algumas pessoas acabam provocando uma resposta exagerada que leva à inflamação persistente e danos ao organismo.

Por isso, o diagnóstico da síndrome ASIA exige uma avaliação médica detalhada, que inclui não apenas o histórico clínico do paciente, mas também a análise de sintomas compatíveis, como fadiga crônica, dores musculares e articulares, além de alterações neurológicas e cutâneas.

Além disso, o médico deve investigar antecedentes de doenças autoimunes e possíveis reações prévias a esses adjuvantes.

Assim, o reconhecimento precoce da síndrome ASIA é fundamental para orientar o manejo adequado e minimizar os riscos de complicações associadas ao processo inflamatório crônico causado por essas substâncias.

A relação com a Doença do Silicone

A síndrome ASIA está diretamente relacionada à Doença do Silicone porque ambos envolvem uma reação do sistema imunológico desencadeada por substâncias estranhas ao organismo.

No caso da Doença do Silicone, especificamente pelos implantes mamários contendo silicone.

Ou seja, o silicone utilizado nos implantes pode atuar como um adjuvante, assim como outras substâncias que causam a síndrome ASIA, provocando uma resposta inflamatória crônica no corpo.

Isso pode levar ao desenvolvimento dos sintomas que caracterizam a Doença do Silicone, como dores musculares, fadiga, e sintomas autoimunes.

Tratamento da doença do silicone

Quando é feito o diagnóstico, o principal tratamento é a retirada dos implantes e ele ocorre da seguinte forma:

  • É feita uma incisão ao redor do mamilo ou abaixo da dobra dos seios
  • Os implantes são removidos
  • Há a remoção do tecido cicatricial ao redor do implante
  • A incisão é fechada por meio de pontos

Os sintomas melhoram assim que os implantes são removidos.
No entanto, isso não ocorre em todos os pacientes, a melhora pode ocorrer nos primeiros 30 dias após a cirurgia.

Pesquisa sobre a doença do silicone

Os pesquisadores em diversos países têm conduzido estudos sobre como chegar a um diagnóstico de forma eficaz e se existem fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver.

Com os estudos já se sabe que o biofilme bacteriano (comunidades bacterianas que se apresentam aderidos a uma superfície) pode desempenhar um papel no desenvolvimento dos sintomas.

Considerações finais

Toda cirurgia envolve riscos, e as cirurgias plásticas não escapam dessa realidade.

A chamada Doença do Implante Mamário, ou Doença do Silicone, refere-se a um conjunto de sintomas que surgem após a colocação dos implantes mamários.

Embora especialistas ainda não classifiquem essa condição como uma doença propriamente dita, eles reconhecem que esses sintomas estão associados a outras enfermidades, especialmente autoimunes. Por isso, o diagnóstico se torna tão desafiador.

Os sintomas variam bastante, incluindo confusão mental, fadiga, erupções na pele, dores nas articulações e músculos, além de olhos secos — todos sinais comuns em doenças autoimunes.

Além disso, a pesquisa avança para entender se esses sintomas surgem devido à presença de substâncias “estranhas” no organismo, como silicone, alumínio, mercúrio e titânio.

Por isso, a retirada dos implantes é uma medida necessária para aliviar os sintomas; contudo, em alguns casos, eles podem persistir mesmo após a cirurgia.

Diante disso, muitos estudos ainda precisam ser realizados para identificar essa condição com precisão e melhorar o diagnóstico.

Assim, fica o alerta: o implante de silicone pode acarretar não apenas essa condição, mas também outras complicações, como a contratura capsular, uma cicatriz interna que pode comprometer a estética ao longo do tempo.

Quer saber mais sobre saúde e bem-estar? Acompanhe o blog da Clínica Neo Imagem Radiologia!