ultrassom para endometriose

Ultrassom para Endometriose: Quando fazer o exame?

Ultrassom para Endometriose, vamos falar sobre?

Infelizmente, a endometriose costuma levar anos para ser diagnosticada.

Estudos internacionais apontam um intervalo médio de 4 a 11 anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença.

Uma pesquisa com pacientes de 63 países registrou um atraso médio de 9,6 anos entre o primeiro sintoma e o diagnóstico definitivo.

Nesse cenário, o ultrassom para endometriose se firma como uma das ferramentas mais importantes para reduzir essa espera e orientar o cuidado ginecológico com mais agilidade.

Ou seja, diferente da laparoscopia, considerada padrão ouro, o ultrassom para endometriose é um exame não invasivo.

Além disso, ele é  acessível e capaz de identificar lesões relevantes quando realizado por profissionais treinados.

A seguir, você confere quando o médico costuma indicar o exame, como ele é feito e o que a ciência mostra sobre sua capacidade de detectar a doença.

O que é a endometriose e por que o diagnóstico demora tanto

A endometriose é uma doença inflamatória crônica em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo afetar ovários, trompas, ligamentos pélvicos, bexiga e intestino.

De acordo com o Ministério da Saúde, a condição atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, o equivalente a cerca de 7 milhões de brasileiras.

Em nível global, estimativas publicadas no BMJ indicam que a doença afeta aproximadamente 190 milhões de mulheres 

Além disso, a dor pélvica associada à endometriose costuma ser confundida com cólica menstrual comum, o que atrasa a busca por avaliação médica.

Uma pesquisa realizada na Áustria e na Alemanha mostrou que 74% das pacientes receberam ao menos um diagnóstico equivocado antes da confirmação da endometriose.

Ou seja, um intervalo médio de 10,4 anos entre o primeiro sintoma e o diagnóstico

Por isso, exames de imagem como o ultrassom para endometriose ganham espaço como ferramenta de rastreio precoce.

Isso porque, por meio dele, é possível reduzir esse tempo de espera e antecipar o início do tratamento.

Quando fazer o ultrassom para endometriose

O ultrassom para endometriose costuma ser indicado diante de sinais que sugerem a doença, entre eles:

  • cólicas menstruais intensas e incapacitantes,
  • dor durante a relação sexual,
  • dor pélvica crônica fora do período menstrual,
  • alterações intestinais ou urinárias associadas ao ciclo e dificuldade para engravidar.

Em muitos casos, a suspeita surge justamente durante a investigação de infertilidade, já que uma parte significativa das pacientes só recebe o diagnóstico nesse contexto.

Também vale destacar que sintomas leves ou pouco característicos não devem ser descartados.

O caso recente da cantora Juliette, divulgado pelo G1 em julho de 2026, ilustra bem esse ponto.

Médicos identificaram a endometriose em estágio inicial durante exames de check-up motivados por uma crise de outra natureza, sem que ela apresentasse os sintomas clássicos da doença.

Esse tipo de relato reforça a importância de investigar o corpo de forma ampla.

Inclusive quando os sinais parecem discretos, e de não esperar que a dor se torne insuportável para procurar avaliação médica.

Como o exame de ultrassom para endometriose é realizado

Na prática clínica, os médicos costumam realizar o ultrassom para endometriose por via transvaginal.

Essa técnica, permite maior proximidade com os órgãos pélvicos e, consequentemente, gera imagens mais detalhadas.

Em alguns protocolos, o preparo intestinal prévio melhora a visualização de estruturas próximas ao reto e ao sigmoide, o que pode aumentar a precisão do exame nessa região

Durante o exame, o especialista avalia a presença de cistos ovarianos característicos, chamados endometriomas.

Além de sinais de aderências pélvicas, espessamentos em ligamentos uterossacrais, comprometimento do septo retovaginal e possível infiltração em bexiga ou intestino.

Assim, o ultrassom para endometriose não se limita a identificar a doença, mas também ajuda a mapear sua extensão, informação que orienta o planejamento cirúrgico quando ele é necessário.

O que a ciência mostra sobre a precisão do exame

A precisão do ultrassom para endometriose varia conforme a região pélvica avaliada.

Uma revisão sistemática com mais de 2.600 pacientes mostrou sensibilidade de 91% e especificidade de 97% para a detecção de endometriose profunda no retossigmoide 

Para outras localizações, como ligamentos uterossacrais, septo retovaginal, vagina e bexiga, a especificidade permanece alta, entre 93% e 100%.

Um estudo internacional multicêntrico, que aplicou o protocolo consensual conhecido como IDEA, encontrou acurácia de 86,1% para a detecção de endometriose profunda, com sensibilidade de 88,4% .

Ainda assim, o exame pode não identificar todas as lesões, principalmente as mais superficiais, e por isso a avaliação clínica do médico continua sendo indispensável na interpretação dos resultados.

Endometriose em pauta: o que mudou recentemente no SUS

O tema ganhou ainda mais visibilidade em julho de 2026, quando o Ministério da Saúde publicou a Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, no Diário Oficial da União, atualizando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose no SUS.

Desta forma, a norma revisa critérios de diagnóstico, inclusão, exclusão e tratamento da doença, além de tornar obrigatória a ciência da paciente sobre riscos dos procedimentos indicados.

Ou seja, essa atualização, somada à repercussão do caso de Juliette, contribui para colocar a endometriose no centro do debate público.

Isso porque ele e reforça a necessidade de diagnóstico precoce, algo em que o ultrassom para endometriose desempenha papel central.

Considerações finais

O ultrassom para endometriose é uma ferramenta acessível e com bom desempenho diagnóstico, especialmente quando realizado por profissionais capacitados.

Ainda assim, ele não substitui a avaliação médica completa nem descarta totalmente a doença quando o resultado é normal, já que lesões superficiais podem não ser visíveis nesse tipo de exame.

Diante de sintomas persistentes, como dor pélvica intensa, dor durante a relação sexual ou dificuldade para engravidar, um ginecologista deve conduzir a investigação.

Ele poderá indicar o ultrassom para endometriose e outros exames complementares conforme cada caso.

Por fim, o acompanhamento médico contínuo, aliado ao diagnóstico por imagem.

Ele contribui diretamente para reduzir o tempo de espera até o tratamento adequado e para melhorar a qualidade de vida das pacientes.

Perguntas frequentes

1. O ultrassom para endometriose dói?

Não. Especialistas consideram o exame seguro e, embora ele possa causar leve desconforto, especialmente em pacientes com dor pélvica intensa, não costuma doer.

2. É preciso preparo especial para o ultrassom para endometriose?

Em alguns protocolos, recomenda-se preparo intestinal nos dias anteriores para melhorar a avaliação da região do reto e do sigmoide.

O médico ou a equipe do serviço de imagem deve dar a orientação específica.

3. O ultrassom para endometriose substitui a laparoscopia?

Não totalmente.

Muitos especialistas ainda consideram a laparoscopia o padrão ouro para a confirmação definitiva, mas o ultrassom pode reduzir a necessidade de cirurgias exploratórias ao fornecer informações detalhadas de forma não invasiva.

4. Um resultado normal descarta a endometriose?

Não necessariamente.

O exame de imagem pode não identificar lesões superficiais.

Por isso, sintomas persistentes devem continuar sendo investigados pelo médico, mesmo diante de um ultrassom sem alterações.

5. Quem deve fazer o ultrassom para endometriose?

Mulheres com sintomas sugestivos, como cólicas intensas, dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica ou dificuldade para engravidar, devem conversar com um ginecologista sobre a necessidade do exame.